antecedentes do moderno

das principais manifestações artísticas e arquitectónicas das vanguardas que antecederam do movimento moderno, destaco as acontecidas na alemanha e a relação entre a arte e a indústria. Esta relação foi bastante mais rigorosa que no resto da europa. na alemanha desenvolveu-se desde muito cedo no séc XX um diálogo e um profundo debate sobre estas áreas emergentes, a manufactura e a normalização.

com a intervenção de muthesius divulgam-se as propostas elaboradas pelo movimento arts & crafts, oriundo de inglaterra, assim com dos arquitectos que impulsionaram a arquitectura doméstica em inglesa.

 ainda que com muitas dúvidas foi aceite maioritariamente a mecanização dos processos de construção e dos objectos em uso, como demonstra a constituição em 1907 da deutcher werbund, associação de industriais, arquitectos e artistas criada com o objectivo de realizar um trabalho de qualidade superior.

 surge, então, uma nova concepção de desenho industrial que coloca a alemanha no topo dos países europeus, devidos aos seus avanços e realizações. a werkbund alemã desaparece com o advento da 1ª grande guerra mundial em 1914, mas o seu modelo ramificou-se pela suíça e pela áustria. o uso de materiais inovadores em especial do betão e do vidro dá-se simultaneamente, em termos temporais, com o uso dos inovadores métodos industriais do desenho arquitectónico.

 no período pós-guerra surge peter berhens, mentor e patrono de gropius, mies van der rohe e le corbusier. os trabalhos desenvolvidos eram essencialmente de cariz industrial.

a fábrica de turbinas, construída em 1909, de estrutura metálica e com painéis em vidro constituiu um ponto alto da arquitectura alemã. gropius e adolf meyer constroem, um ano mais tarde, da fábrica fagus, outro exemplo de ponta do racionalismo aplicado aos novos materiais. a estrutura metálica permite despir as paredes externas e cobri-las de enormes painéis de vidro, elevando este conceito e denominando-o de parede cortina.

a extensiva utilização do vidro desencadeia a corrente expressionista que atinge o seu expoente máximo no momento pós-guerra imediato.

quase em simultâneo surge o movimento impulsionador do modernismo, o de stijl de 1917, com a 1ª grande guerra mundial em curso é lançado o primeiro número desta revista “o estilo”, fundada pelo pintor holandês van doesburg. em torno desta desenvolve-se um grupo de artistas: arquitectos, escultores e pintores.

fazem parte integrante deste movimento figuras de reconhecido mérito como os pintores holandeses piet mondrian e bart van der leck, os arquitectos j. oud, robert van hoff e rietveld. o movimento era um convite a todos os artistas europeus que pretendessem colaborar na elaboração de uma proposta plástica válida universalmente.

o objectivo era a criação de uma nova arte com uma nova plasticidade que ultrapassasse as antigas receitas que provinham em grande medida do naturalismo e das academias da antiguidade e eis que surge o neoplasticismo.

o racionalismo vem na senda dos desenvolvimentos da data e surge um pouco por toda a europa, mas em especial na alemanha, bem como o nascimento da arquitectura moderna predominantemente funcionalista, encontra as suas raízes mais profundas na arquitectura das estruturas e dos engenheiros. do século anterior as mais próximas na deutsher werbund e na bauhaus.

o expoente máximo do racionalismo europeu é le corbusier, havendo ainda que destacar walter gropius, pela importância que teve na definição de novos conceitos de arquitectos e mies van der rohe pela particularidade da sua arquitectura.

O denominador comum da arquitectura racionalista nos dois continentes é sem dúvida a unidade tecnológica permitida pela divulgação do betão armado e a ultrapassagem definitiva de dualidade estrutura/decoração. esta estética estava ligada à noção do espaço, a arquitectura deveria exigir a simplicidade de modo a demonstrar uma preocupação com a cidade e o seu tecido social.

a bauhaus foi uma escola de artes e ofícios, fundada por walter gropius em weimar, na alemanha, em 1919.

a bauhaus manteve-se em weimar até 1924. posteriormente, por dificuldades económicas e fortes pressões de alguns sectores sociais, a escola fecha. em seguida muda-se para dessau, em 1925, cabendo a gropius o projecto da nova sede e em seguida para berlim, em 1928, onde foi dirigida por mies van der rohe; finalmente, com a crescente subida do advento do nacional socialismo, partido nazi, em 1932, veio a ser definitivamente encerrada.

foi no período dessau que se registou a maior projecção e esplendor daquela que foi uma escola de artes e ofícios e que nunca formou um arquitecto reconhecido como tal, mas que simultaneamente foi das maiores referências do séc. XX nas artes de forma geral e na arquitectura em particular.

o programa inicial estabelecia a unidade e a harmonia entre as diversas disciplinas artesanais e artísticas, para as transformar em algo completamente diferente, de acordo com uma nova concepção da arquitectura.

a escola pela qual passaram j.itten, v.kandishy, p.klee, p.feininger, entre outros, desempenhou um papel muito importante na pedagogia da arquitectura moderna, bem como das restantes artes e ofícios.

gropius, o fundador, considerava que o arquitecto deveria ser também um artesão, desvanecendo as distinções entre as especialidades; pensava também que cada criador individual interveniente num projecto deveria contribuir com o seu trabalho em plena consciência do fim pretendido, advogando assim o espírito de equipa adequado a um modo de produção industrial.

como facilmente se verifica a deutch werkbund, a bauhaus e o movimento arts & crafts tem pontos em comum.

a aauhaus herda os princípios da werbund, que marcou a arquitectura enquanto arte, mas dispõe de inúmeras contribuições de professores conceituados, mas curiosamente não existe uma disciplina de história. este facto corta radicalmente com o passado, principalmente numa das questões fundamentais: a urbana – o inventar da cidade, com condições propícias a alterações, provocadas pela 1ª e 2ª grande guerra mundiais.

a bauhaus alcança o prestígio máximo devido às suas inovadoras propostas pedagógicas e pela qualidade dos seus desenhos, surge da fusão de duas instituições pré-existentes dedicadas ao ensino artístico. No fundo a bauhaus deu à arquitectura um papel integrador de todas as artes, como, põr exemplo, o objectivo de conseguir ambientes coerentes e adequados às necessidades de uma sociedade tecnologicamente avançada.

charles-édouard jeanneret – le corbusier, pintor, escultor, arquitecto, pensador, provocador, planeador urbano, artesão, poético e inventivo iniciou o seu trabalho ao bom estilo do movimento das artes e ofícios, veio a tornar-se um dos primeiros mestres do movimento moderno. descreve a casa como máquina de viver e reforça com a ideia que a arquitectura ultrapassa as necessidades utilitárias.


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