objecto habitar

se nos conseguirmos afastar o suficiente, para que a actual leitura da realidade não nos tolde a observação mais crítica, por certo concluiremos que as actuais mudanças sociais e urbanas, no contexto da mobilidade, globalização e deslocalização mantêm os mesmos pressupostos de há milhões de anos.

 

a procura deixou de ser a necessidade básica do alimento, passando a terrenos férteis, riquezas minerais, moedas, bem-estar, mas em qualquer dos momentos desta incansável busca o objecto habitação esteve presente, acompanhando o processo evolutivo e evoluindo com ele.

 

da caverna natural ao objecto habitacional mais HI-Tec, alguns milhares de anos se passaram e com eles a mobilidade decresceu e cresceu, a portabilidade diminuiu e aumentou, como se de parábolas se tratasse.

 

estas parábolas que nos levam, numa dimensão infindavelmente diversa, à mesma procura de satisfações, potenciam o homem/criador de arquitecturas conscientes e arquitectura consciente enquanto disciplina criadora de qualquer ambiente, em qualquer lugar, com qualquer propósito, por um qualquer período de tempo, na busca incessante de soluções.

 

a função do objecto habitação manteve-se, mantém-se e provavelmente manter-se-á, a utilidade também perdurará no tempo, mas na mais pura consciência todas elas, as arquitecturas, até as que atingem limites inexcedíveis de consciência são efémeras no uso.

 

claramente distinto do objecto de habitação permanente, o portátil transporta-se connosco ou, pelo menos, permite outras utilizações, por outros utilizadores, eventualmente noutros lugares e tempos. Extrema semelhança com o “início dos tempos”.

 

mas transportam igualmente, e reportando obviamente à maioria, as mesmas limitações e desconfortos, medidos numa escala de satisfação monstruosamente ampliada, que os objectos de habitação do “início dos tempos”. A despreocupação continuada dos “conceptores” e construtores na adequação – melhor – na falta desta, dos produtos/objectos de habitação às necessidades de satisfação espacial, funcional, “reutilitaria” e ambiental, promove a dita como se de uma forma de habitar descartável se tratasse.

 

o futuro, aquele último ponto na hipérbole da evolução, passará certamente pela adaptação, que levará à consequente personalização dos objectos habitação. Quer nos permanentes, quer nos portáteis.

 

sem que esta adaptação se verifique, as respostas ao que queremos da habitação e ao que queremos na habitação continuarão imutáveis e por conseguinte o Homem, continuará a habitar a sua caverna pré-feita, que tanto serve a alto e baixos, na China ou no Chade.

 

e seremos nós, são os actuais e foram os passados, os responsáveis pelos futuros, actuais e passados objectos de habitação, assim teremos todos nós que apurar as nossas consciências, na prossecução do objectivo de moldar a habitação às necessidades específicas de cada ser humano, em limites apenas sonhados.

 

 

 

de forma sucinta e conclusiva diria que o objecto de habitação do futuro, portátil ou permanente, será, certamente, uma extensão do próprio homem em equilíbrio perfeito com toda a envolvente.


About this entry