reciclagem de materiais de construção

reciclagem – termo de origem francesa, recyclage, que significa novo tratamento dado a diversos materiais (papel, vidro, metal e outros), permitindo a sua reutilização e, consequentemente, a menor degradação das reservas de recursos materiais e preservação do ambiente.
 
ro caso da construção civil, concretamente dos materiais provenientes da desconstrução/demolição de edifícios, há que referir que de acordo com a legislação em vigor é responsabilidade dos produtores e detentores de resíduos de construção e demolição - rcd garantir a gestão e destino adequado destes.
 
no entanto, o problema dos rcd, vulgarmente denominados entulhos, é crescente, os depósitos ilegais em terrenos baldios, em regra de beira de estrada, assume hoje proporções preocupantes, quer pelos riscos acrescidos para a saúde público, quer pela degradação ambiental, quer, ainda, pela delapidação dos recursos naturais.
 
assim, face à situação actual torna-se imperioso proceder, de forma imediata e sistemática, á reciclagem dos rcd. Sendo estes entulhos compostos pelos mais diversos materiais, essencialmente pelos tradicionais betões e tijolos, mas também, ladrilhos, telhas e outros materiais cerâmicos, vidro, tintas, plásticos, isolamentos e telas diversos, as formas de reciclagem serão obviamente diversas.
 
assim, relativamente a este último grupo é sensato pensarmos que cada material terá o seu processo de reciclagem próprio, isto é, os plásticos, os vidros, os papelões, as madeiras, os alumínios e outros, serão sujeitos a processos de reciclagem existentes e largamente difundidos.
 
neste contexto, a presente análise debruçar-se-á sobre a reciclagem da fracção inerte, ou seja, restos de betão, de tijolos e de misturas entre este elementos.
 
o processo inicia-se com a selecção e armazenamento selectivo dos rcd na obra de origem. Estes deverão apresentar dimensões inferiores a 50cm, caso contrário deverão ser fragmentados em unidades com esta dimensão permitindo a sua posterior recolha e transporte para a central de tratamento.
 
uma vez na central de tratamento, os crd são britados e crivados, ou seja, são fragmentados e peneirados utilizando-se para o efeito equipamento específico, garantindo a fragmentação e consequente separação em diversas granulometrias.
 
os materiais produzidos poderão, deste modo, ser reutilizados em novas obras. as diferentes granulometrias obtidas possibilitarão a utilização em diversos processos e diferentes etapas da construção.
 
estes inertes podem ser reutilizados em betões de enchimento de tosco, aterros diversos, nomeadamente em vias públicas e até mesmo na produção de peças em betão mais fino, tais como blocos de pavimento.
 
sem prejuízo de outros processos existentes, o agora apresentado tem sido utilizado pela câmara municipal de montemor-o-novo, no âmbito do projecto reagir, programa piloto de reciclagem de fracções inertes de rcd, com bastante sucesso.
 
por fim, referir que as vantagens subjacentes a estes processos são evidentes, assim poderemos enunciar as seguintes:
 
•       preservação ambiental;
•       redução da pegada ecológica;
•       diminuição de factores de risco para à saúde pública;
•       redução no consumo de inertes naturais;
•       diminuição da extracção de matérias-primas naturais, consequente manutenção de reservas;
•       diminuição de custos relativos a todos os processos que envolvam os inertes naturais;
 
a reciclagem de rcd é sem dúvida o caminho certo para a necessária reconstrução de um planeta mais limpo e sustentável.
 
assim, concluo com a crença pessoal de que por via da reciclagem a construção poderá, num futuro muito próximo, deixar de ser uma das actividades mais poluentes, mais degradantes para o meio ambiente e consequentemente menos sustentável. cabe-nos, então, a nós, enquanto peças deste puzzle global a utilização sustentável dos recursos.


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