morte e inevitável renascença…

este será o primeiro texto inteiramente livre que escrevo, quando digo livre, não quero dizer que os restantes tenham sido limitados, não! somente orientados no tema! agora não, escrevo sobre o período que mais prazer me dá: o renascimento.

 

a morte do homem medieval e o renascer do HOMEM, aceitando a sua condição humana enquanto centro do universo, a proporção, a simetria, a perspectiva, o sfumato, a pureza formal, a depuração material, a não ornamentação, o humanismo, a criação artística, a evolução tecnológica, o equilibrio da composição, a abertura de novos horizontes nas mentes medievais.


é tudo isto que o renascimento representa, é sobre a transição do trivium e quadrivium para a verdadeira arte. é sobre o reconhecimento da pintura, da escultura e, como não podia deixar de ser, da arquitectura como artes e não apenas enquanto simples ofícios incluídos na geometria ou em qualquer outra actividade liberal da idade média.


é o período das grandes cúpulas, santa maria das flores (brunelleschi – florença) e são pedro (bramante – roma), é o momento da soberania do homem artísta, mas é também o período das grandes obras escultóricas, david (miguel ângelo buonarotti – florença) e pieta (miguel ângelo buonarotti – roma), e da pintura igualmente, la gioconda (leonardo da vinci – anchiano) e o nascimento de vénus (sandro botticelli – florença).

 

mas é, essencialmente, um dos momentos de viragem da nossa (humana) evolução, para o bem e para o mal.

 

mas porquê renascimento? do latim renascere,voltar a nascer é o mais directo significado. voltar a nascer o clássico, seguir cegamente vitruvio. e renascer onde, senão em itália, em florença, no séc. XIV, ou melhor, no trecento. espalha-se rapidamente pela europa no quatrocento (séc. XV) e cinquencento (séc. XVI).

 

chega a portugal tarde, é certo, mas chega. não pela escrita de vitruvio, mas sim pelas de serlio, vignola, paladio e scamozzi e é pela mão de três grandes arquitectos, joão castilho e nicolau chanterene e principalmente pela do retratista da corte francisco ollanda, o qual tornar-se-ia assessor do rei dom joão III (talvez dos mais cultos), que se desenvolve no pais. (re)nascem obras como o claustro da manga (provavelmente ollanda – coimbra) e igreja da conceição (joão castilho – tomar).

 

concluo esta passagem por tão importante período histórico, com a forte crença que esta viragem afastou definitivamente o homem do animal. de modo nunca antes visto e como jamais se voltará a presenciar.

 


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